michelle

uma mulher sobe a rua
imune ao alaranjado da tarde
aos tufos de cidreira nas calçadas.

crianças e cães cruzam seu caminho
rumam para os painéis luminosos
que circundam rios, estradas
eles acreditam nas luzes
na combustão das matas
nos aromas doces, vapores quentes
que aquecerão a futura noite
desejos em néon, eles sonham.

ela é gueixa nos clows
a vida e a veste lisa
em black
novelos de lã
tem a memória dos tempos
das fiadeiras bibliotecárias
do peso das armas dos homens
das indústrias de metal
o sorriso é curto
e a coluna, alta das torres
pés nas pedras, ela segue.

o portão, a grade, a casa
o bunker
ela abre a porta para as xícaras vitorianas
a visão cinza
a camellia sinensis
líquida gótica
porque sim
porque se safa do brilho,
do acaso, as duplas
fogos de artifício.

à mesa,
sua boca escancara
todas os dentes
da metrópole.


Esse poema faz parte do projeto verão. A leitura de michelle se encontra aqui.

Um comentário sobre “michelle

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s