12. giovana

observar e absorver, com fé no amor, no bem

I.
Meu caminho – Flora Matos

II.
Questão de método

não sei mais um ballantines
ou ciências sociais?

Ledusha

III.
Segunda-feira

Respira
enquanto amaldiçoamos a sorte
e vagamos sem rumo
por avenidas superfaturadas.

Perdura
enquanto marcamos compromissos
com desconhecidos
e festejamos o que quer que seja
por questão de sobrevivência.

Imersa
no espaço não identificado
de um sopro,
entre uma e outra
resolução de emergência,
a insone estrela de fogo.

Onde não é nem nunca foi segunda-feira.

Bruno Brum

IV.
Liberdade – Drik Barbosa

V.

Vendedora de Flores, Djanira da Motta e Silva

VI.
Interior – Carne Doce

VII.
Engano

Soou o telefone na galeria de arte,
soou à meia-noite na sala quieta;
se houvesse gente dormindo, acordaria na certa,
mas aqui há somente insones profetas,
somente reis empalidecem de luar
e olham indiferentes o que há para olhar,
e a mulher do usuário, agitada na aparência,
fita justo essa coisa sonante na lareira,
mas não, não larga o seu leque,
como os outros aferrada à sua inércia.
Altivamente ausentes, em ricas vestes ou nus,
tratam o alarme noturno com indiferença,
na qual, juro, há mais negro humor
do que se da moldura saltasse o próprio mordomo-mor
(nada além do silêncio, aliás, lhe soa ao ouvido).
E o fato de que alguém na cidade, há longos instantes, se afana
segurando ingenuamente o receptor
tendo discado um número errado? Ele vive, logo se engana.

Wislawa Szymborska
(trad. Regina Przybycien)

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