andréa

é bonito ver as crianças correndo ao longo do gradil, os braços como asas de avião e as mãozinhas vão tocando cada aresta verde, barulhando tuc tuc tuc, os lábios frouxos brum brum brum e o riso columbino. os olhos agarram os limites dos portões, dos jardins, belos e soltos, e lá se vai o trinco, o susto, começa a nova expedição. filinha, gritinhos, shiiiiiiii e a certeza da bruxa no porão fica até o pulo da perereca em flagrante e a vida é gritos e corrida sem fôlego à calçada. ufa ufa ufa mãozinhas nas pernas, o sangue nas bochechas e a revelação dos segredos florestais que só tinham sonhado nos filmes.
toda noite é uma promessa que você enfileira em galerias de fotografias e banhos de luz colhidos e preservados com as garras sábias de quem conhece os horizontes. quando se tem belas pernas, ainda se pode esticar um braço ao gradil e ter o outro firme sobre o papel brilhante que tem a magia do cinema. com a máquina em punho, será possível captar os saltos das rãs se as fronteiras forem esquecidas. aí dizem que se ouve a voz da bruxa e o sangue esquenta.
os dados não mostram sua face sem que você anuncie sonoramente sua aposta. ninguém nega que a banca vence, mas, às vezes, a sorte te encontra inocente na encruzilhada. um pouco de dinheiro, um pouco de criança, um pouco de cachaça, tudo bem mexido no tacho de ferro e bastará girar os braços como asas para pousar nas imagens que a câmara escura sonhou.

se poema faz parte do projeto verão. A leitura de andréa está aqui.

Um comentário sobre “andréa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s