yasmin

suas ruas se estendem sem descanso
círculos, triângulos, rodovias
os mapas têm mil páginas
em códigos e signos ásperos
você não os lê e tem pressa pela subida 
as mãos soltas no ar
os olhos espelhando
prédios de 30 andares
você quer ser
a nuvem espumosa
do whisky sour
nas coberturas

meu riso é espanto verde
questão da terra
rondó, chão batido, curvas
eu repito bem orácula
: o viço está fora da capital
só ele alimenta as pernas
para alcançar os becos, ruelas 
de mytikas 
e suas casas brandas
deitadas no porto

sua voz é império e estrondo 
palavras vulgares
quente efervescência
me jurando que sim
que sabe o caminho
então vire à esquerda, por favor
ali está o tesouro silencioso
conchas, ancinhos
olivas doces
é a brisa
é a vida grega
é restar ao encontrar a água

todo jovem pode lavar e cultivar
os pés sobre a areia
e escorrer o amor nas paredes brancas
se souber sustentar as toras
as escavações
deslizar do topo à praia
e estabilizar estacas

: você precisa se lembrar
que a melhor maneira de provar ostras
é abri-las com a própria faca
romper seu fio à lâmina
e escorrer o visco à boca

Esse poema faz parte do projeto verão. A leitura de yasmin está aqui.

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