manhã de natal

pés doloridos das danças
sonhos frescos rondando
e depois de ter bebido os restos de vinho
das onze taças sobre a pia
elaboro votos que não soam como o século 19
mas que atendem às expectativas
do romantismo alemão 

– agarrem a vida pelos dentes 

– cultivem jardins e afetos bárbaros

– saltem nus nos lagos gelados

o rádio canta as músicas de ontem
but not for me
meninos riem e montam castelos
com miudezas no chão
outros tantos dormem
à mesa, meus pressentimentos e eu
rio ou são paulo

muita chuva para esse verão
minha face que não mais se reconhece
e a xícara que mantenho aquecida
com a vontade em estado puro

lá fora mangas verdes e o valete de espadas
cruéis e soberanos
não me dobro
e guardo na lata de biscoitos
a imagem
do amor dançante
recém-nascido
cheirando manjericão
que dorme sereno
à beira da piscina

um poema de outros natais.

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