luana

o sol tem se demorado mais
para deixar a cozinha 
e quem se beneficia
são as nectarinas
garbosas na luz
em que flutua a cidade

as esquinas iluminadas
os botecos abrem as cadeiras
enchem os saleiros com arroz
e os papéis translúcidos
não podem conter
a futura umidade dos copos

é a volta do samba de roda
você se lembra como as coisas eram
é o giro, o riso, vestido verde
você ainda o tem?
é o coro, a cachaça, dedo-de-moça
à vontade

você diz que quer, que teme
o novo nome, os feriados,
o baile de tehuantepec,
as fantasmas, fantasias,
o telefone no silencioso
e me conta, não sobre o méxico
mas das aulas de mandarim
a luz baixa de xangai

seriam confiáveis as receitas
culinárias, tortas?
você conhece a insônia, a água da pia
o brilho das frutas frescas
a publicidade é ilusão bb
a mercadoria nunca é 
o que aparenta
o que desejamos
mas conhecemos a verdade das gatas
que conquistam suas donas 
com algum contorcionismo
e o pêlo suave

esse poema faz parte do projeto verão. a leitura de luana você acompanha aqui.

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