8. bruno

é como chuva no mar

I.
Poemacto I (trecho)

Deito-me, levanto-me, penso que é enorme cantar.
Uma vara canta branco.
Uma cidade canta luzes.
Penso agora que é profundo encontrar as mãos.
Encontrar instrumentos dentro da angústia:
clavicórdios e liras ou alaúdes
intencionados.
Cantar rosáceas de pedra no nevoeiro.
Cantar sangrento nevoeiro.
O amor atravessado por um dardo
que estremece o homem até às bases.

Cantar o nosso próprio dardo atirado
ao bicho que atravessa o mundo.
Ao nome que sangra.
Que vai sangrando e deixando um rastro
pela culminante noite fora.
Isso é o nome do amor que é o nome
do canto. Canto na solidão.
O amor obsessivo.
A obsessiva solidão cantante.
Deito-me, e é enorme. É enorme levantar-se,
cegar, cantar.
Ter as mãos como o nevoeiro a arder.

Herberto Helder

O poema completo pode ser lido aqui.

II.
Wise up (Magnolia) – Aimee Mann

III.

Untitled, Sohrab Hura

IV.
Para que alguns me possam amar

escrevo estas coisas
para que alguns me possam amar

todos aqueles que sejam humildes
e vistam roupas simples e claras
manchadas mesmo de vinho café ou
nódoas de peixe frito

escrevo estas coisas
para quem nunca teve casa junto ao mar
mas sabe que o mar é uma delícia

como o sol

Levi Condinho

V.
Happy together – Wong Kar-Wai

VI.

Sai Mado The distant gaze, Aïda Muluneh

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