7. mariana

o prazer de ser mortal na proa

I.
Everything is everything – Miss Lauryn Hill

II.
Nietzschiana

— Meu pai, ah que me esmaga a sensação do nada!
— Já sei, minha filha…. É atavismo.
E ela reluzia com as mil cintilações do Êxito intacto.

Manuel Bandeira

III.

Self-portrait in mirrors, Ilse Bing

IV.
Aquela gente antiga – II

Aquela gente antiga explorava a minha bobice.
Diziam assim, virando a cara como seu estivesse distante:
“Senhora Jacinta tem quatro fulores mal falando.
Três acham logo casamento, uma, não sei não, moça feia num casa fácil”.

Eu me abria em lágrimas. Choro manso e soluçado….
“Essa boba…. Chorona…. Ninguém nem falou o nome dela…”
Minha bisavó ralhava, me consolava com palavras de ilusão:
sim, que eu casava. Que certo mesmo era menina feia, moça bonita.
E me dava a metade de uma bolacha.
Eu me consolava e me apegava à minha bisavó.
Cresci com os meus medos e com o chá de raiz de fedegoso,
prescrito pelo saber de minha bisavó.
Certo que perdi a aparência bisonha. Fiquei corada
e achei quem me quisesse.
Sim, que esse não estava contaminado dos princípios goianos,
de que moça que lia romance e declamava Almeida Garrett
não dava boa dona de casa.

Cora Coralina

V.
Beatrix Kiddo vs. Gogo and the Crazy 88’s

VI.

You’re gonna give me the love I need, Mickalene Thomas.

VII.
Quaresmeira – Anelis Assumpção

2 comentários sobre “7. mariana

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