15 de dezembro

você na cozinha
cortando tomates
eu na sala
caço palavras
é domingo de manhã e o sol
triunfa pelas paredes
um anúncio do verão próximo
e seus suores de purgatório


não gira na vitrola
meu cartola derrotado
mas seu jackson do pandeiro
sua vitrola seu império
eu sei


tento prestar atenção
nas ideias que abatem nuvens
e não no seu quadril gingando em ondas
e na voz que se derrama com a água na pia
é samba que eles querem

o jornal embaixo do vaso de camélias
contou-nos do sangue que quiseram ontem
o nosso ainda não
nós permanecemos
protegidos e culpados
pelas fachadas brancas
dos apartamentos tristes
que possuem janelas.

a faca no ar
você no batente da porta
olhos de jabuticaba
você mira e diz
“você sabe que o andré rebouças
foi quem fez o projeto de levar água
para a cidade
deixou para trás os arcos da lapa
acho que você devia escrever
um poema sobre isso”

vejo meus sapatos
penso nos olhos de santa tereza
no redentor
na bruma dourada
e para onde foram
os 6 milhões de habitantes
dessa capital

algo está sempre acontecendo
não é preciso fugir

um poema, uma promessa. antigos.
às vezes, perdemos quando algo acontece.
ando aceitando as derrotas e guardando as fotografias em latas de biscoito.

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