so i walk with you, billie

então eu deixo o quarto
e atravesso a rua
correndo para onde vai o vento
quais ruas desconheço?
os pensamentos deslizando em declive
para descer é necessário essa tolice e
aceitar a vertigem
eu não consigo ouvir o que você dizia
os portões da fábrica perderam o verde
as janelas seguem pregadas
somente a brisa fria corta a fachada e
devolve o eco da minha voz
e é com a respiração acelerada
no muro do cemitério são joão batista
ao ver os homens em marcha
que posso perguntar
não é o tremular nas pernas
que pode vencer a noite?
não é a carícia veloz do vento
que abre as estradas?
não é a pelagem dos cavalos
que leva ao rio?
não é o braço quente em seu pescoço
que semeia a américa?
quando os pés dormentes
encontram a última casa ao sol
vejo na transparência daqueles vidros
meu rosto, seixo corado,
satisfeito por ainda saber
como se acende o fogo

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