à beira

você diz que teme as águas-viva
os cacos, os plásticos
as perguntas mal formuladas
quando caminha na areia
contra o sol
insuspeito

minha dúvida vem
dos cardumes
dos corais
das conchas
silentes
que não entendem
de onde vem
para onde vai

você diz que coloca
os peixes na brasa
porque não aprecia o vapor
as caçarolas de cobre
o filetamento
e o tempero dos ensopados

você diz que não
e nada contra as ondas
intacto à espuma

você ignora algas
flores rezas
porque é homem
e não tem
nenhuma proteção para isso

calar na areia
com as velhas embarcações

pressiono a voz
e as mãos nas costas
onde descansam
as fotografias
das baías
dos aquários
e as velas brancas
que dançavam azuis

uma vez mais
recolher estrelas

um poeminha do blog antigo que trouxe para cá

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