silêncio

é curioso o silêncio. o que você faz com seu silêncio? na psicanálise, a discussão é: como o analista ouve o silêncio? que demanda este guarda? entre um ponto e outro de encontro, de sessão, de página, de mensagem, o que você faz? aí quando a angústia aparece, aí quando surge uma oportunidade de fill in the blanks, podemos nos tornar seres medonhos: empilhamos corpos, compras, copos; projetamos o mal do nosso silêncio a quem estiver dando bandeira; assumimos a culpa do mal e iniciamos voluntariamente nosso próprio enterro. a vida é aterrorizante e ainda temos tanto medo do escuro. tão precários continuamos por aí, entre a astúcia e tolice.

creio que vale respirar, voltar e sustentar a aposta da sophia de mello breyner andresen (que me recordaram hoje) na primeira estrofe do poema “eis-me”:

Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

(reflexão que postei no twitter hoje)

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