na rua de ontem

os copos-de-leite de rivera,
a mesma cosmogonia, a passagem
violenta dos carros-fortes.

disco repetido, o avião
é lindo fugir pela rua
e desviar das mãos
duplas, triplas

você pode olvidar
promessas, pesos
ser livre transeunte
da turba

eis a coragem de possuir um corpo



abaixo um poema antigo escrito para o sarau de anna zêpa (em 2019).
recordar, repetir, elaborar.
o desconforto de fazer as mesmas viagens.

lo que te conté mientras te hacías la dormida

escuta, cariño
gosto do calor de tuas xícaras de café
do canto de teu rouxinol,
da carne das manzanas
e da cadência das tuas pernas.

escuta, cariño
sei que levas páginas blancas
que sentas por las tardes en la puerta,
bebes la sangría, enrola teu fumo
e chamas la nueva luna.

escuta, cariño
el cielo aquí es más hermoso,
me encanta bailar por tus calles,
tus palabras flamencas
repetir tu língua.

escuta, cariño
los vinos se derramaram pela noite
a luz já vai iluminar teu peito,
aquecer tuas mãos
e minhas pernas não fluem na névoa.

escuta, cariño
o sol queima na baía de todos os santos
e eu posso moer meu próprio café.






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